A relação entre obesidade e câncer

A incidência de obesidade tem crescido a nível global nas últimas décadas, e atualmente mais de um terço da população americana encontra-se nessa classificação. Já está bem estabelecido que a obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares.

13 de outubro de 2014 | Autor: Dra. Camile Fiorese Cruzeta Vasconcellos

 

A incidência de obesidade tem crescido a nível global nas últimas décadas, e atualmente mais de um terço da população americana encontra-se nessa classificação. Já está bem estabelecido que a obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares. Há alguns anos uma atenção maior tem sido voltada para a sua relação com doenças cancerígenas. A Sociedade Americana de Oncologia Clínica publicou em outubro de 2014 um posicionamento a respeito dessa associação. Após avaliar vários estudos, a sociedade sugere que a obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está associada a uma maior mortalidade após o diagnóstico. Também contribui para uma pior resposta e a maiores complicações do próprio tratamento do câncer.

Alguns dados descritos na publicação merecem destaque:

• A obesidade está ultrapassando o tabagismo como fator de risco prevenível de desenvolvimento de malignidades.

• Em relação ao câncer de mama, a análise de dados sugere que a presença de obesidade no momento do diagnóstico do câncer aumenta o risco de mortalidade principalmente nas mulheres em idade fértil, mas também nas mulheres na pós-menopausa, comparando com aquelas que têm peso normal ao diagnóstico.

• Homens com obesidade parecem ter maior risco de desenvolvimento de câncer de próstata mais agressivo e doença avançada ao diagnóstico comparando com homens sem excesso de peso.

• A obesidade moderada está possivelmente relacionada ao câncer de intestino (colon) recorrente e a um maior risco de mortalidade pelo mesmo.

São vários os motivos pelos quais a obesidade influencia nos desfechos do tratamento da neoplasia, interferindo na distribuição dos medicamentos pelo corpo e no tratamento de feridas e elevando o risco de infecções pós-operatórias e de edema de vasos linfáticos, entre outros fatores. Também há uma maior prevalência de outras morbidades relacionadas ao excesso de peso após a cura do câncer, como diabetes e doenças cardiovasculares. Como em geral o tratamento do câncer tem sido cada vez mais bem sucedido, esses outros problemas de saúde acabam impactando cada vez mais na sobrevida após a cura.

A mudança dos hábitos de vida com redução da ingestão calórica, escolha de alimentos de melhor qualidade e a realização de exercícios físicos traz vários benefícios para quem está tratando a doença cancerígena. Entre eles estão a diminuição da fadiga durante e após o tratamento da malignidade, melhora da auto-estima e da imagem corporal, menor incidência de outras doenças relacionadas ao excesso de peso e mudanças favoráveis nos marcadores de risco de câncer e de evolução da doença.

Concluindo, a prevenção da obesidade através de hábitos saudáveis traz não só uma qualidade de vida melhor como mais saúde a longo prazo, e os benefícios da perda de peso quando excessivo podem ser alcançados em diversas fases da vida.

Referência bibliográfica:

– American Society of Clinical Oncology Position Statement on Obesity and Cancer. J Clin Oncol 32. © 2014 by American Society of Clinical Oncology Published online before print October 1, 2014, doi: 10.1200/JCO.2014.58.4680

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