Alimentação no primeiro ano de vida e seus efeitos em longo prazo

Veja como uma alimentação adequada neste período pode influenciar a saúde da criança e até prevenir doenças futuras.

25 de novembro de 2013 | Autor: Centro de Diabetes Curitiba

 

O que significa dizer que um bebê está se alimentando bem? Há alguns anos a resposta mais importante para essa pergunta seria “Sim. Ele está se alimentando bem, pois está crescendo e se desenvolvendo de forma adequada”. Mas será que só isso basta nos dias de hoje?

Não. A nossa realidade atual diz que um em cada dois adultos tem excesso de peso e 30% da população brasileira jovem tem pelo menos uma doença crônica como Diabetes, pressão alta e colesterol alterado. Isso quer dizer que temos muitas doenças que levam ao desenvolvimento de problemas cardiovasculares como infarto e derrame ao nosso redor.

Como proteger nossos filhos desse futuro? Hoje, a nutrição adequada durante a gravidez e durante o primeiro ano de vida é muito valorizada como um dos itens importantes da prevenção de doenças do futuro. Isso mesmo, o que a criança come quando é pequena pode influenciar na saúde dela décadas depois. Como assim?

Simples. Quanto mais jovem é a criança mais os fatores ambientais influenciam na “programação” da saúde. É o chamado período crítico. O bebê, especialmente antes do primeiro ano de vida, tem o organismo muito mais sensível do que a criança maior e o adulto. Suas células estão se multiplicando rapidamente, o cérebro se desenvolvendo e o sistema imunológico amadurecendo – tudo ao mesmo tempo e de forma muito rápida. Dá para entender como os nutrientes são importantes nesse momento e qualquer carência ou excesso pode prejudicar a formação do organismo.

Se faz mal o adulto comer errado (alimentos ricos em açúcar, sal, gordura), muito pior é para o bebê. Fica muito mais difícil de consertar. Por isso, cuidar da alimentação do bebê é muito, muito importante mesmo, para que ele tenha bastante saúde agora e mais para frente!

Quando hoje perguntamos se o bebê está se alimentando bem devemos pensar:
• Ele está crescendo bem?
• Ele está se desenvolvendo bem?
• Está faltando algum nutriente?
• Está sobrando algum nutriente?
• Será que comendo assim estou protegendo o bebê de problemas de saúde agora e no futuro?

Vários estudos mostram o impacto da nutrição do bebê na prevenção de doenças. O aleitamento materno, por exemplo, reduz em 30% o risco de obesidade no futuro, reduz o risco de colesterol aumentado, o risco de alergias e o risco de Diabetes.

Na quantidade certa
. A ingestão excessiva de proteína em bebês é um dos fatores mais importantes que se associa ao aumento do risco de obesidade no futuro. O leite de vaca tem cinco vezes mais proteína do que o leite materno.
. O consumo adequado de carne (após os 6 meses) reduz a chance de anemia e melhora o desenvolvimento cerebral do bebê, por causa do ferro que está contido na carne e é facilmente absorvido.

. Ingestão adequada de frutas e verduras (após os 6 meses) – as vitaminas, fibras e minerais presentes nesses alimentos combatem os radicais livres produzidos pelo organismo que podem danificar as artérias.

. Não exagerar no sal (sódio) reduz a pressão arterial quando o bebê for adolescente.

. Não exagerar nos sucos, mesmo naturais, e preferir as frutas (pedaços, amassadas ou picadas), pois elas têm fibras e maior concentração de vitaminas.

. Comer peixes melhora o desenvolvimento neuropsicomotor da criança e pode proteger contra algumas doenças alérgicas.

Criança pequena deve ter, mais do que nunca, sua alimentação cuidada por toda a família para garantir muita saúde por toda a vida.

Dra. Carla Cláudia Pavan-Senn, médica endocrinologista pediatra do Centro de Diabetes Curitiba.

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