Aspectos práticos da prescrição de insulinoterapia para lactentes e crianças abaixo de 5 anos de idade

Na última década assistimos ao aumento significativo do número de diagnósticos de diabetes tipo 1 em crianças abaixo dos 5 anos de idade. A frequência do diabetes está aumentando em todo o mundo e estima-se que aumenta cerca de 5% ao ano em pré escolares, contra 3% de aumento entre crianças e adolescentes, perfazendo cerca de 70 mil novos casos ao ano em crianças abaixo de 14 anos.

19 de agosto de 2014 | Autor: Dr. MAURO SCHARF PINTO

 

Na última década assistimos ao aumento significativo do número de diagnósticos de diabetes tipo 1 em crianças abaixo dos 5 anos de idade. A frequência do diabetes está aumentando em todo o mundo e estima-se que aumenta cerca de 5% ao ano em pré escolares, contra 3% de aumento entre crianças e adolescentes, perfazendo cerca de 70 mil novos casos ao ano em crianças abaixo de 14 anos.

O EURODIAB STUDY, aponta para mais de 52 novos casos para cada 100 mil habitantes ao ano na Finlândia, em contraste com outros países com 10 a 14 novos casos para cada 100 mil habitantes como a Hungria e Austrália.

A previsão de aumento de acordo com a idade está demonstrada no gráfico abaixo:

 

grafico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Harjustalo et al. Lancet 2008;371:1777-1782

O tema torna-se relevante, pois a dificuldade no diagnóstico, assim como no tratamento é um desafio constante para os que se deparam com crianças com diabetes abaixo dos 5 anos de vida, pois os  quadros nunca são semelhantes, e os lactentes podem apresentar quadros de cansaço, irritabilidade, infecções recorrentes. A tríade da poliúria, emagrecimento e polidipsia, nem sempre se toprna clara, visto que geralmente ainda utilizam fraldas nessa faixa etária. A polidipsia, frequentemente é atribuída a excesso de roupas ou a calor ambiente e a perda de peso comumente confundida com falta de leite, desnutrição, tornando mais difícil o diagnóstico.

Usualmente Peptídeo C <0,20nmol/L em amostra expontânea e a rápida perda da secreção deste após 6 a 12 meses ajudam a caracterizar o diagnóstico nesta fase. A presença de histórico familiar de um dos pais afetados, a evidência da produção de insulina endógena fora do período de lua de mel e a presença de peptídeo C acima de 200nmol/L, em vigência de glicemias normais e ainda
a ausência de antiicorpos anti ilhotas, anti-GAD e anti insulina, principalmente quando medidos no diagnóstico, nos alertam para a
possibilidade do diabetes monogênico, que deve ser investigado.

A terapia basal bolus nessa faixa etária apresenta inúmeras vantagens e a utilização de análogos de insulina ultra-rápidos são ferramentas primordiais para o melhor manuseio das crianças nessa faixa etária. A terapia de bomba de insulina ou SICI, Sistemas de infusão contínua de insulina, tem aumentado em todo o mundo e apresentam igualmente uma excelente opção de escolha no tratamento desses lactentes.

Referências

1.  Danne & Kordonouri, Ped Diab, 2007, 8(6): 3-5.

2.  Kondrashova et al. Ann Med 2005; 37:67-72

3.  Harjustalo et al. Lancet 2008;371:1777-1782

4.  the DPV-Wiss database Reinhard W. Holl, Ulm, Diabetes Technology &
Therapeutics.  March 2001, Vol. 3, No. 1: 1-73

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