Desconhecimento sobre os tipos de Diabetes.

Um levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Diabetes, apresentado no mês de outubro de 2013, mostrou que um terço da população diabética do país não sabe qual tipo de diabetes tem, Tipo 1 ou Tipo 2.

29 de outubro de 2013 | Autor: Centro de Diabetes Curitiba

 

Em novembro de 2012, a International Diabetes Federation (IDF) publicou a quinta edição atualizada de seu atlas, onde informa que há no mundo 371 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos portadoras de Diabetes e que esse número é crescente em todos os países. Um dado preocupante, associado ao fato de que 50% desses pacientes desconhecem que têm a doença.

No Brasil, quarto colocado entre os países com maior prevalência de Diabetes, 13,4 milhões de pessoas são portadoras da doença. Esse número corresponde a quase 6,5% do total da população brasileira entre 20 e 79 anos de idade.

O Diabetes Tipo 1 é uma enfermidade autoimune, isto é, o corpo passa a produzir anticorpos que atacam no pâncreas a área produtora de insulina, hormônio que controla a quantidade de açúcar (glicose) no sangue. Assim, a produção de insulina se torna insuficiente e os níveis de glicose aumentam. O paciente, então, precisa receber insulina diariamente.

No Diabetes Tipo 2, o paciente produz insulina, mas essa insulina não exerce adequadamente seu papel no controle da glicose no sangue porque o corpo resiste a ela, aumentando consequentemente os níveis de glicose. Esse quadro decorre frequentemente do excesso de peso, associado à herança familiar e ao sedentarismo. Seu tratamento depende de dieta adequada, associada a exercícios e medicamentos orais.

Há ainda o Diabetes Gestacional, situação específica da gestação que ocorre em mulheres onde a produção de insulina não atende à demanda gerada nessa condição. O Diabetes Gestacional desaparece completamente após o parto.

O Diabetes Tipo 2 pode ser prevenido, o Tipo 1 não. Manter o peso adequado, fazer exercícios e evitar o tabagismo podem diminuir o risco de aparecimento do Diabetes Tipo 2 – o mais frequente entre todas as formas e o que vem crescendo exponencialmente em prevalência em todo o mundo.

Um levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Diabetes, apresentado no mês de outubro de 2013, mostrou que um terço da população diabética do país não sabe qual tipo de Diabetes tem, Tipo 1 ou Tipo 2.

No estudo, 1.106 pessoas de 18 a 60 anos foram entrevistadas em seis capitais brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. Entre todos os participantes, 9% disseram ter Diabetes. Esse dado é discordante da estatística dos órgãos de saúde brasileiros que recentemente encontraram prevalência da doença, nessa população, nas grandes capitais do país, de pelo menos o dobro desse percentual. Quando perguntados sobre qual tipo de Diabetes tinham, 37% disseram sofrer do Diabetes Tipo 1, 29% do Tipo 2 e 34% não souberam responder. Novamente, esses valores não correspondem à realidade, já que sabidamente 90% de todos os casos de Diabetes são do Tipo 2, o que mostra desinformação a respeito de sua verdadeira condição por parte dos pacientes.

Junto com o desconhecimento dos 34% dos entrevistados que não souberam responder qual Diabetes apresentam, estamos diante de uma situação delicada: como os dois tipos são doenças com causas, tratamentos e evolução diferentes entre si, a compreensão inadequada de suas características traz sem dúvida prejuízos aos resultados do tratamento e maior chance de aparecimento das complicações crônicas do Diabetes.

Ainda nesse levantamento, a maioria dos entrevistados relatou que a doença estava associada somente ao consumo excessivo de açúcar: 87% consideraram que cortar o açúcar diminui o risco de Diabetes e somente 37% lembraram que consumir menos gordura diminui o risco de aparecimento da doença. Como sabemos, a principal causa de Diabetes é a obesidade, desencadeada pelo consumo exagerado de calorias, vindas do açúcar ou não.

Um percentual pequeno de 30% dos entrevistados disse que praticar exercícios evitava o aparecimento da doença e só 11% lembraram do tabagismo como fator de risco. A maior parte dos entrevistados desconhecia que o sedentarismo e o tabagismo aumentavam o risco de agravamento do Diabetes Tipo 2.

Num cenário onde a prevalência do Diabetes vem aumentando assustadoramente, o desconhecimento e a desinformação da população sobre a doença concorrem para agravar a situação, principalmente impedindo sua prevenção.

Acredito que investir em educação em Diabetes, informando o paciente e a população adequadamente a esse respeito – seja durante o atendimento multiprofissional ou em reuniões com essa finalidade –, funciona como ferramenta de tratamento, com eficiência no mínimo igual a terapia com dieta e medicamentos.

Dra. Andressa Miguel Leitão, médica endocrinologista e diretora da Pesquisa Clínica do Centro de Diabetes Curitiba.

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