Diabetes Gestacional – o que você precisa saber?

O Diabetes mellitus gestacional (DMG) é definido como o aumento dos níveis de glicose sanguínea, detectado pela primeira vez durante a gravidez.

20 de janeiro de 2021 | Autor: Dra. Josiane Melchioretto Detsch

O que Diabetes mellitus gestacional

O Diabetes mellitus gestacional (DMG) é definido como o aumento dos níveis de glicose sanguínea, detectado pela primeira vez durante a gravidez, com valores glicêmicos que não atinjam os critérios diagnósticos para Diabetes Mellitus (DM), e que podem ou não persistir após o parto.  É uma das alterações endócrinas mais comuns durante a gestação, podendo ser encontrada em até 18% das gestantes com os novos critérios diagnósticos utilizados. A prevalência do DMG tem elevado mundialmente, principalmente devido ao aumento da idade materna e à alta prevalência de obesidade entre as mulheres em idade reprodutiva

Ele costuma acontecer porque durante a gravidez ocorrem adaptações na produção hormonal materna para permitir o desenvolvimento do bebê. Há uma tendência à hiperglicemia para fornecimento adequado de glicose ao feto.  Alguns hormônios produzidos pela placenta e outros aumentados pela gestação, tais como o hormônio lactogênio placentário, o cortisol e a prolactina, podem promover redução da atuação da insulina em seus receptores, uma resistência à ação da insulina, e com isso o pâncreas materno, consequentemente, deveria aumentar a produção de insulina para compensar este quadro de resistência, porém, quando isso não ocorre, há o aparecimento do diabetes.

Principais fatores de risco

Os principais fatores de risco para DMG são: história familiar de diabetes em familiar de primeiro grau, obesidade ou ganho de peso excessivo na gestação, idade materna avançada, síndrome dos ovários policísticos, gestação gemelar, histórico de mau passado obstétrico anterior e alterações na gestação atual (hipertensão arterial, excesso de líquido amniótico e bebê grande para a idade gestacional).

O diabetes gestacional é muito comum e não costuma causar sintomas. Por ser uma doença geralmente assintomática, indica-se o rastreamento de todas as gestantes. Deve ser realizada a dosagem de glicemia de jejum no início do pré natal para avaliação de possíveis casos de diabetes pré gestacionais (se possível antes de 20 semanas de gestação). Se a glicemia de jejum já estiver acima ou igual a 92mg/dl no início da gestação, deverá ser confirmada com uma segunda amostra, mas já fecharia o diagnóstico de diabetes gestacional. Se acima ou igual a 126mg/dl, considera-se um quadro de diabetes mellitus diagnosticado durante a gestação.  Se a glicemia estiver menor a 92mg/dl, a gestante será submetida ao teste de sobrecarga com 75g de glicose. Esse teste deve ser preferencialmente realizado entre 24-28 semanas de gestação. Os valores para diagnóstico são: glicemia de jejum acima de 92 mg/dl, 1h e 2h após a ingestão do açúcar valores acima de 180 mg/dl e 153mg/dl respectivamente. Um valor alterado já é suficiente para o diagnóstico.

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Complicações durante a gestação

O DMG implica em um aumento no risco de complicações durante a gestação, tanto para a mãe como para o feto.  A gestante com DMG não tratada tem maior risco de parto prematuro, feto macrossômico (bebês com mais de 4kg), além de maior incidência de pré-eclâmpsia e risco de diabetes tipo 2 (DM2) posterior à gestação. O bebê apresenta maior risco de hipoglicemia durante o nascimento, icterícia, distress respiratório, além do risco de sobrepeso e DM2 na vida adulta.

É de suma importância o controle das glicemias nestas pacientes durante a gestação, seja com realização de glicemias capilares ou com monitorização contínua de glicose. A grande maioria das pacientes consegue bom controle das glicemias com dieta adequada e atividade física. A dieta deve oferecer necessidades nutricionais mínimas para a gestação e atingir metas glicêmicas, sem induzir perda de peso ou ganho de peso excessivo

Quando não se alcança o objetivo, (glicemias de jejum abaixo de 95mg/dl, 1h após a refeição < 140mg/dl e 2h após refeição <120mg/dl), o uso de outros medicamentos, como a insulina podem ser necessários.

Diabetes mellitus gestacional após o parto

O DMG geralmente costuma desaparecer após o parto, ao contrário de outras formas de diabetes. Após 6 semanas do parto é indicado uma reavaliação com nova curva de glicose naquelas mulheres com DMG, para verificar a permanência ou o desaparecimento do diabetes. As mulheres que desenvolvem diabetes durante a gestação têm uma chance 30-60% maior de apresentarem Diabetes Mellitus tipo 2 ao longo da vida. Os critérios diagnósticos utilizados serão os de diabetes mellitus e pré-diabetes fora da gestação. O desenvolvimento do DM2 é prevenido com bons hábitos alimentares, atividade física e normalização do peso durante o período pós-parto, além do aleitamento materno. A amamentação está associada à melhora na glicemia após o parto, podendo reduzir o risco de diabetes futuro nas mulheres com história de DMG.

 Referências:

Organização Pan Americana da Saúde. Ministério da Saúde. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento e Diagnóstico do Diabetes Mellitus Gestacional no Brasil. Brasília, DF: OPAS, 2016. 32p.: il. ISBN: 978-85-7967-118-0.

Organização Pan-Americana da Saúde. Ministério da Saúde. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Sociedade Brasileira de Diabetes. Tratamento do diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília, DF: OPAS, 2019. 57 p.: il. ISBN: 978-85-94091-12-3.

Metzger BE, Lowe LP, Dyer AR, Trimble ER, Chaovarindr U, Costa DR, et al. Hyperglycemia and adverse pregnancy outcomes. N Engl J Med. 2008 May; 8;358(19):1991-2002.

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