Diabetes no paciente idoso

O idoso precisa fazer uma avaliação geriátrica ampla anualmente para avaliar sua saúde e sua funcionalidade. Conhecendo melhor cada paciente, o médico pode individualizar o tratamento, buscando acrescentar qualidade de vida a ele.

30 de janeiro de 2014 | Autor: Centro de Diabetes de Curitiba

 

O diabetes é uma doença prevalente no envelhecimento, isso decorre do estilo de vida sedentário e das alterações próprias do envelhecimento. Dentre elas o aumento da resistência à insulina, devido à redução da massa muscular, e a redução da função do pâncreas (órgão responsável pela produção da insulina).

Quando falamos em diabetes no paciente idoso, é preciso lembrar que alguns desenvolveram a doença ainda na idade de adulto jovem e outros já na idade superior a 65 anos. E que essa é uma população heterogênea, ou seja, um idoso é muito diferente do outro: alguns são funcionais (capazes de manter o cuidado com o seu corpo e a vida em sociedade) e apresentam poucas comorbidades, já outros são frágeis, dependentes e apresentam múltiplas comorbidades. Além de diferirem nos aspectos sociais, culturais e nas suas crenças. Todos esses fatores dificultam a definição de diretrizes de tratamento das doenças crônicas, como o diabetes.

Diversos estudos têm sido realizados nessa população com a finalidade de orientar os tratamentos. E temos observado, como resultado comum, que os objetivos devem ser individualizados, levando em consideração a vulnerabilidade, a hipoglicemia, a habilidade de autocuidado (funcionalidade), a presença ou ausência de outras comorbidades, a cognição (memória e capacidade de decidir) e a expectativa de vida.

De uma maneira geral, os estudos sugerem que o idoso que não tem complicações microvasculares nem comorbidades significativas, que é funcional, tem uma boa qualidade de vida e tem uma expectativa de vida de 10-15 anos, deve ter seu tratamento realizado com os mesmos objetivos do indivíduo jovem, ou seja, manter a hemoglobina glicada inferior a 7%. Já aqueles que não preenchem os critérios acima e / ou têm uma expectativa de vida inferior a 5 anos, não apresentam benefício com o tratamento agressivo. Nesse caso é considerado um bom controle quando a hemoglobina glicada está entre 8-9%.

Dessa forma, é preciso que anualmente seja realizada a avaliação geriátrica ampla do idoso, instrumento esse que permite a avaliação de diversos aspectos da saúde do idoso e da sua funcionalidade. Tendo melhor conhecimento do indivíduo, o médico poderá individualizar o seu tratamento, buscando sempre adicionar vida ao anos e não anos à vida.

Artigo da Dra. Gisele dos Santos, médica geriatra do Centro de Diabetes Curitiba

Fonte: http://www.americangeriatrics.org/files/documents/ADA_Consensus_Report.pdf

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