Dieta hipocalórica tem efeito similar ao da cirurgia bárica no Diabetes

Estudo comparou o controle do Diabetes entre pacientes submetidos à cirurgia e pacientes recebendo uma dieta hipocalórica e ambos apresentaram melhora semelhante.

4 de dezembro de 2013 | Autor: Centro de Diabetes Curitiba

 

Nos casos em que mudanças no estilo de vida e intervenções medicamentosas falham em promover uma adequada perda de peso e o controle do Diabetes, a cirurgia gastrointestinal se torna uma poderosa alternativa. É indicada, nesses casos, para pacientes com IMC acima de 40 kg/m2 ou IMC acima de 35 kg/m2 quando há morbidades associadas, como o Diabetes por exemplo.
Há uma melhora ou mesmo resolução dessas doenças relacionadas à obesidade, com uma baixa taxa de complicações inerentes ao método cirúrgico. O efeito da técnica by-pass gástrico em Y de Roux em melhorar o Diabetes é especialmente impressionante.
Aproximadamente 80-85% dos pacientes submetidos a tal cirurgia apresentam remissão do Diabetes, ou seja, controle da doença sem precisar usar qualquer medicação oral ou insulina – controle mantido em até 14 anos após a cirurgia, segundo vários estudos.
Esse efeito da cirurgia em relação ao Diabetes é visto pelos médicos como uma das mais importantes consequências da intervenção, devido a melhora na qualidade de vida e a redução nas complicações de grande morbidade da doença.
A grande discussão é se essa melhora do Diabetes proporcionada pela cirurgia é somente devido a perda de peso (o que poderia ser conseguido por meio de outros métodos) ou se há alguma mudança na secreção de hormônios intestinais que exacerbam a melhora do Diabetes com tais cirurgias. Essa última hipótese veio à tona devido a melhora da doença ocorrer em apenas poucos dias, até mesmo horas após o procedimento cirúrgico.

Estudo comparativo
Entretanto, um estudo publicado no Diabetes, em abril de 2013, comparou o controle do Diabetes em um período curto de tempo (21 dias) em pacientes submetidos à cirurgia by-pass gástrico em Y de Roux com pacientes recebendo uma dieta hipocalórica (semelhante àquela dos pacientes no pós-operatório da cirurgia) e não encontrou nenhuma diferença nos dois grupos.
Ambos apresentaram melhora nos parâmetros de controle do Diabetes e na secreção pancreática de insulina de maneira semelhante.
A cirurgia intestinal com o objetivo de perda de peso e melhora de doenças associadas, como o Diabetes, tem seu papel principalmente por ser mais efetiva na manutenção a longo prazo. Mas não deve nunca ser colocada em primeiro lugar e nem mesmo como única opção para o controle do Diabetes.
Artigo da Dra. Michelle Garcia Polesel, médica endocrinologista do Centro de Diabetes Curitiba.

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