Osteoporose em homens, uma doença negligenciada.

Existe uma estimativa de que a chance de um homem sofrer uma fratura osteoporótica durante a vida é atualmente maior que o desenvolvimento de um câncer de próstata. Em homens a fratura osteoporótica ocorre, em média, 5 a 10 anos após as mulheres.

11 de fevereiro de 2014 | Autor: Centro de Diabetes Curitiba

 

Tradicionalmente considerada uma doença de mulheres idosas, a osteoporose é um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. Na última década, entretanto, ocorreu um progresso considerável no entendimento da fisiopatologia e no manejo da osteoporose em homens. Porém, esta continua sendo uma doença sub-diagnosticada e sub-tratada nesta população.

O aumento na expectativa de vida da população está associado a um maior número de fraturas por fragilidade óssea em ambos os sexos, tanto pela perda, quanto pela deterioração da microarquitetura óssea. Existe uma estimativa de que a chance de um homem sofrer uma fratura osteoporótica durante a vida é atualmente maior que o desenvolvimento de um câncer de próstata. Em homens a fratura osteoporótica ocorre, em média, 5 a 10 anos após as mulheres. No entanto, a morbidade e a mortalidade após uma fratura de quadril, por exemplo, são maiores no sexo masculino.

Progressos estão sendo feitos na identificação de homens com osteoporose, embora ainda existam controvérsias quanto aos critérios diagnósticos. As medicações também estão sendo estudadas mais especificamente nesta população e novas drogas prometem tratamentos promissores. Porém, apenas uma pequena parcela (<10%) dos homens recebe o tratamento para esta enfermidade, mesmo em casos de história prévia de fratura por fragilidade.

A prevalência de uma causa secundária em homens é de aproximadamente 50%. As três principais causas secundárias são: etilismo, excesso de glicocorticóides e o hipogonadismo. Na ausência de um fator etiológico identificável e uma idade mais avançada (acima dos 70 anos), a doença pode estar relacionada apenas ao envelhecimento. Como nas mulheres, outros fatores, como tabagismo, inatividade física, IMC muito baixo e uma ingestão cronicamente deficiente em cálcio, podem estar associados a uma aceleração na perda óssea relacionada à idade. Particularmente em indivíduos abaixo dos 65-70 anos, quando não há uma etiologia definida, a osteoporose é referida como idiopática.

A International Society for Clinical Densitometry (ISCD) recomenda que a medida da DMO pela DEXA seja feita de rotina em homens acima de 70 anos e nos indivíduos mais jovens que apresentam fatores de risco para fraturas ou história de fratura prévia por fragilidade.

Homens com fatores de risco para osteoporose devem consumir 1000 a 1200 mg por dia de cálcio, de preferência pela ingestão alimentar. A suplementação deve ser feita caso esses níveis não forem atingidos pela dieta. A dosagem da 25 OH Vitamina D deve ser mantida acima de 30ng/ml; se abaixo desse valor, uma suplementação deverá ser realizada. Posteriormente, a manutenção com 1000 a 2000 UI por dia deve ocorrer. O incentivo à atividade física, a orientação de cessação do tabagismo e a redução da ingestão de álcool deve ser feito em todos os casos. Os medicamentos estudados e liberados para o tratamento da osteoporose em homens são: alendronato, risedronato, ácido zoledrônico, denosumabe, teriparatida e ranelato de estrôncio.

Artigo da médica endocrinologista Tatiana Munhoz da Rocha Lemos Costa, do Centro de Diabetes Curitiba.

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