Pé Diabético

Conheça mais detalhes sobre o pé diabético, uma das complicações mais graves e caras do Diabetes Mellitus.

18 de novembro de 2013 | Autor: Centro de Diabetes Curitiba

 

Segundo Bakker et al (2011, p. 226), as lesões do pé diabético resultam da associação de dois ou mais fatores de risco, referindo que a Neuropatia é o principal fator de risco em até 50% dos pacientes.

O pé diabético tem um impacto considerável sobre a saúde dos pacientes diabéticos. Todos os anos, mais de um milhão de pessoas com Diabetes perdem uma perna em consequência da doença. Isso significa que, a cada 20 segundos, um membro inferior está perdido para o Diabetes em algum lugar do mundo. A grande maioria destas amputações é precedida por uma úlcera no pé.

Os fatores mais importantes relacionados ao desenvolvimento dessas úlceras são a Neuropatia Periférica, deformidades dos pés, Doença Arterial Periférica (DAP) e traumas precipitados por fatores externos (INTERNATIONAL CONSENSUS ON THE DIABETIC FOOT, 2011).

Os problemas do pé estão entre as complicações mais graves e caras do Diabetes Mellitus. Amputação de toda ou parte de uma extremidade inferior é geralmente precedida por uma úlcera no pé. A estratégia – que inclui educação para a prevenção do paciente e equipe, o tratamento multidisciplinar de úlceras do pé e o monitoramento –, pode reduzir as taxas de amputação em 49-85%. Por isso, vários países e organizações, como a Organização Mundial da Saúde e a Federação Internacional de Diabetes, estabeleceram metas para reduzir a taxa de amputações em até 50% (INTERNATIONAL CONSENSUS ON THE DIABETIC FOOT, 2011, p. 07).

Nas orientações dadas pelo International Working Group on the Diabetic Foot (2012), exames no pé devem ser realizados em pessoas com Diabetes pelo menos uma vez por ano e, mais frequentemente, em pacientes com alto risco de ulceração do pé. A identificação dos pacientes em risco de ulceração é o aspecto mais importante da prevenção de amputação. A educação é parte integrante da prevenção; ela deve ser simples e repetitiva.

Calosidade, unhas encravadas, deformidades ósseas, onicomicoses e hálux valgo (joanete) ocorrem nos locais de maior pressão e fricção e, geralmente, estão associadas ao uso de calçados inadequados. Se estas alterações forem negligenciadas ou tratadas de forma inadequada, podem a curto e médio prazo levar ao desenvolvimento de ulcerações. As infecções cutâneas por fungos constituem uma porta de entrada para infecções mais graves (INTERNATIONAL CONSENSUS ON THE DIABETIC FOOT, 2011, p. 69).

De acordo com o International Consensus on the Diabetic Foot (2011), os estudos têm demonstrado que programas abrangentes para cuidados com os pés – incluindo educação terapêutica, exame regular dos pés e classificação do risco –, podem reduzir a ocorrência das lesões nos pés em até 70% dos pacientes.

Segundo dados do International Working Group on the Diabetic Foot (2012), infelizmente, o autoexame dos pés é muitas vezes negligenciado, apesar de orientações claras e das recomendações. A ausência de exame diário nos pés é relatada em até 50% dos pacientes submetidos à amputação. Nos cuidados com os pés, apenas 25,7% examinam os pés diariamente, o que nos leva a pensar que os pacientes não estão sendo orientados adequadamente sobre a relevância do exame diário dos pés.

Tatiane Coradassi Esmanhotto, enfermeira do Centro de Diabetes Curitiba.

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