Pesquisa indica possível cura para diabetes do tipo 1

Um estudo publicado na revista PLoS One e realizado por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston (EUA), indicou que a vacina BCG, conseguiu banir o diabetes do tipo 1 temporariamente nos pacientes.

30 de agosto de 2012 | Autor: Centro de Diabetes Curitiba

Um estudo publicado na revista PLoS One e realizado por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston (EUA), indicou que a vacina BCG, medicamento que age contra a tuberculose há mais de 90 anos e contra o câncer de bexiga, conseguiu banir o diabetes do tipo 1 temporariamente nos pacientes. Mas André Vianna, endocrinologista do Centro de Diabetes Curitiba, lembra que esta pesquisa ainda está em fase inicial e não deve ser vista como uma falsa expectativa de cura para os diabéticos.

Na primeira fase da pesquisa houve a confirmação de que o uso da vacina restaura temporariamente a secreção de insulina nas pessoas com a doença, por meio da morte de células autoimunes, causadoras da patologia. De acordo com Vianna, o estudo aponta que a vacina modifica a autoimunidade subjacente ao diabetes do tipo 1 e, por isso, aumenta a produção de TNF, fator de necrose tumoral, matando as células causadoras da doença e restabelecendo a função das células beta do pâncreas. “Três pacientes que tinham a doença de longa duração receberam duas injeções, com quatro semanas de intervalo, de BCG. Foram monitorados semanalmente amostras de sangue por 20 semanas. Dois dos três pacientes tiveram os níveis das células T reduzidos. Então, as células autoimunes mortas foram liberadas na corrente sanguínea e a medida da produção de insulina aumentou”, explica.

Para o endocrinologista, a primeira fase do estudo mostrou que pequenas doses da vacina poderiam reverter o diabetes do tipo 1 em pacientes que tiveram a doença por 15 anos. “O efeito durou cerca de uma semana e não causou reações adversas. Mas, antes de tudo, devemos observar que a pesquisa ainda não está completa e, mesmo que ela tenha apontado que o BCG pode vir a apagar as células autoimunes, ela ainda deverá ser testada incluindo uma dosagem maior da substância”, afirma.

Críticos do estudo do Hospital Geral de Massachusetts pontuam que se deve ter, acima de tudo, cuidado na análise dos resultados, pois a ideia de que a BCG elimina as células autoimunes não é comprovada cientificamente.

Segundo Vianna, o estudo ainda não está completo e, por isso, o que os pacientes devem fazer antes de tirar conclusões é esperar a segunda fase dele, que trará resultados mais efetivos. “Isto deve durar mais ou menos três anos e precisa de milhões de dólares de financiamento para que seja concluído. Caso o estudo venha a ser completado e seja comprovado que, com maior dosagem de BCG, as células autoimunes realmente são destruídas, podemos considerar a pesquisa um grande avanço para o tratamento e, quem sabe, a cura do diabetes do tipo 1”, comenta.

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