Prevenção da Obesidade na Infância

Nas fases iniciais da infância os Pediatras pesam e medem as crianças com a finalidade de analisar os padrões de crescimento e compará-los com as tabelas de referência. Isto permite dentre outras coisas verificar se a nutrição está adequada.

31 de julho de 2014 | Autor: Centro de Diabetes Curitiba

 

Nas últimas décadas também tem servido para se observar os excessos. Nunca é cedo demais para se iniciar a prevenção. A ingestão demasiada de energia (calorias) e proteínas nas fases iniciais da infância, principalmente nas primeiras semanas de vida, são fatores que podem impulsionar um crescimento exagerado. Este crescimento vai levar a um aumento de peso em fases mais tardias da infância. Estudos têm mostrado que o excesso de peso entre o nascimento e os dois anos de idade são de grande valor para predizer a obesidade na adolescência. Além disso, este fato também acarreta maior probabilidade de hipertensão arterial na idade adulta, bem como alterações do colesterol, diabetes e asma. Para evitar estas intercorrências os Pediatras têm orientado os cuidadores quanto aos benefícios e efeitos de proteção da amamentação. É importante que se conscientize a todos de que os substitutos do leite materno sejam adequados, em caso de necessidade, utilizando-se fórmulas infantis próprias à idade. Dentre estas fórmulas, as mais adequadas são aquelas com teores mais baixos de proteína, assemelhando-se às concentrações encontradas no leite materno. Quando consideramos a prevenção e o tratamento da obesidade nas crianças, a restrição energética da dieta, o aumento da atividade física e a diminuição do comportamento sedentário não devem comprometer o crescimento e o desenvolvimento. Por estas razões a manutenção do peso deve ser o principal objetivo, mais do que exigir a sua redução. Avaliações sucessivas e frequentes sem se dar extrema importância à perda de peso são medidas apropriadas. A origem da obesidade baseia-se num desequilíbrio do balanço energético. Nas crianças o crescimento só é possível se o aporte de energia é positivo. A sobra exagerada de energia vai ser depositada sob a forma de gordura. Em todo o mundo tem ocorrido um rápido aumento da prevalência da obesidade, principalmente devido a alterações comportamentais e do meio em que a criança vive relacionada à dieta e à inatividade. O importante aumento da obesidade tem coincidido com as mudanças de como as crianças gastam seu tempo, resultando na diminuição da atividade física e de aumento no comportamento sedentário. Isto está associado ao maior tempo gasto assistindo televisão, jogando videogames, surfando na internet e usando celulares. Este fato é decorrente de alteração no contexto político e social, com perda de espaços para recreação, falta de locais seguros para caminhar ou passear de bicicleta, uso alimentos industrializados de alto teor energético e pela falta de promoção da saúde.

O modo de ajudar as crianças a manter um peso saudável seria estimular os pais e familiares oucuidadores a:

1. Garantir que as crianças tenham refeições regulares, inclusive com um bom café da manhã, de preferência com a companhia de adultos e sem distrações, como assistir televisão.

2. Dar atenção à criança, estimulando a comer sozinha ao invés de dar a comida.

3. Separar as refeições de outras atividades.

4. Ensinar a comer quando tiver fome.

5. Evitar classificar os alimentos como “bons” ou “ruins”.

6. Não comprar alimentos considerados inadequados.

7. Conferir os alimentos oferecidos na creche ou escola.

Por estes motivos têm-se considerado como muito importantes as intervenções nutricionais nos primeiros 1000 dias de vida (desde a concepção até os dois anos de idade), sendo este considerado um período de oportunidades de se prevenir a obesidade e suas consequências na idade adulta.

O que é uma lancheira saudável?

A preparação da lancheira dos filhos é um momento do dia de grande dúvida para muitos pais. Preocupados em manter uma alimentação saudável, os questionamentos vão desde quais alimentos e quantidade a oferecer até como variar e manter uma boa aceitação dos alimentos por parte dos filhos. As crianças passam boa parte do dia na escola e oferecer uma lancheira saudável, com alimentos que oferecem os nutrientes necessários, é uma grande oportunidade de contribuir para a alimentação balanceada das crianças ao longo do dia e ajudar no desempenho escolar e na formação de hábitos alimentares saudáveis.

Como montar uma lancheira saudável?

Pensando na importância da boa alimentação durante o período escolar, a Sociedade Brasileira de Pediatria resumiu o que não pode faltar no lanche:

• Uma fruta: práticas para consumir com casca ou cuja casca pode ser retirada com facilidade (maçã, banana, pêra, morango, uva). As frutas que não escurecem podem também ser oferecidas picadas em potes hermeticamente fechados.

• Um tipo de carboidrato: para fornecer energia para as atividades escolares e do dia a dia. Pães (integral, fôrma, sírio), biscoitos sem recheio, bolos caseiros.

• Um tipo de proteína: Produtos lácteos são bem vindos. Além de serem alimentos fonte de proteína, ajudam a atingir a necessidade de cálcio diário, importante para a formação de ossos e dentes. Ex: queijos, leite e iogurtes.

• Um líquido: Para repor os líquidos perdidos por desidratação durante as atividades escolares. Sucos, chás, água de coco e água são boas opções. Unindo sabor, saúde e praticidade

Para aliar praticidade e boa nutrição, o uso de alimentos embalados e porcionados é bem vindo! E, para fazer uma escolha nutricionalmente adequada, é importante ter o hábito de ler os rótulos dos alimentos, para verificar o quanto a porção de cada alimento contribui com os nutrientes. Intercalar alimentos processados com caseiros ou in natura é uma forma inteligente de compor a lancheira, mantendo a praticidade, equilíbrio e a qualidade nutricional do lanche da criança.

Diversificar a forma de apresentação dos alimentos é outro ponto que merece destaque. Sanduiches enroladinhos, frutas no palito e biscoitos caseiros em formatos lúdicos são alguns exemplos de como tornar a lancheira divertida, sem monotonias e com isso aumentar a aceitação dos alimentos.

Outra dica é envolver os filhos na preparação da lancheira. Leve-os ao mercado para ajudarem a escolher os alimentos e peça ajuda ao preparar um patê, bolo ou biscoito em casa. Momentos gostosos e divertidos como esses são boas oportunidades de ensinar a criança a fazer melhores escolhas e, com isso, garantir que a lancheira tenha alimentos adequados, saborosos e bem aceitos pelo seu filho. E de nada adianta oferecer uma refeição nutritiva se na hora do lanche os alimentos não estiverem adequados para o consumo. Para manter a segurança alimentar, lembre-se de higienizar a lancheira e as mãos antes do preparo e de lavar bem os alimentos consumidos in natura antes coloca-los na lancheira. Se não for térmica, utilize recipientes térmicos para colocar os alimentos que necessitem de refrigeração. Ainda assim, evite alimentos mais perecíveis como queijos e patês em dias muito quentes.

Exemplos de lancheiras saudáveis

– Vitamina com cereal infantil pronta para consumo + bolo caseiro + maçã

– Suco de laranja in natura + sanduíche integral com peito de peru + morangos

– Suco a base de soja pronto para consumo + pão integral com patê de ricota e cenoura + uva

– Iogurte líquido + biscoito simples + banana

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Departamento Científico de Nutrologia. Manual do lanche saudável. São Paulo: Sociedade Brasileira de

Pediatria, 2011.

Philippi ST. Pirâmide alimentar para crianças de 2 a 3 anos. Rev Nutr 2003; 16(1):5-19.

Kepple AW,Segall-Corrêa AM. Conceituando e medindo segurança alimentar e nutricional. Ciência & Saúde

Coletiva, 2011; 16(1):187-99.

pediatraonline.com.br/carlasenn

Dra. Carla Cláudia Pavan Senn, PhD

Endocrinologista Pediatra

Mestre e Doutora em Saúde da Criança e do Adolescente pela UFPR

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