Qual o papel da escola no tratamento de crianças e adolescentes com diabete

A doença, mais presente no tipo 1 entre a faixa etária de zero a 18 anos, exige uma série de cuidados, pelos quais os pais normalmente assumem grande responsabilidade.

17 de junho de 2013 | Autor: Luciana Cassarino Perez

 

Você, pai ou mãe, alguma vez se fez essa pergunta? Como psicóloga, há algum tempo atendendo e pesquisando nesta área, pude constatar que a relação com a escola é um dos temas mais delicados para pais de filhos com diabetes. A doença, mais presente no tipo 1 entre a faixa etária de zero a 18 anos, exige uma série de cuidados, pelos quais os pais normalmente assumem grande responsabilidade. E que, quando os filhos vão para a escola, ficam a cargo deles próprios e dos professores, coordenadores e outros profissionais da instituição.

Realizando uma ampla revisão teórica entre artigos científicos sobre suporte social em adolescentes com DM1, observei que, apesar de pais e filhos considerarem a escola como elemento fundamental da rede de apoio, são poucos os estudos que investigam o papel da escola como fonte de suporte nesses casos. Diante deste quadro, realizei um estudo em que 102 adolescentes com DM1 avaliaram sua rede de apoio (atribuindo pontos para as diferentes fontes de suporte) e sua qualidade de vida. Os resultados comprovaram que apesar de o apoio dos professores influenciar diretamente na melhora da qualidade de vida, o suporte dos mesmos foi a fonte pior avaliada pelos adolescentes, ficando atrás dos pais, familiares, amigos e equipe de saúde.

Prática e pesquisa têm demonstrado que a grande dificuldade está na integração das diferentes fontes que formam a rede de apoio dessas crianças e adolescentes. Em especial pais e familiares, através das orientações da equipe de saúde, devem manter a escola ciente das especificidades e necessidades do aluno com diabetes. A escola, por sua vez, deve estar atenta às orientações dos responsáveis e profissionais da saúde, garantindo que seus alunos com diabetes possam focar a atenção no rendimento escolar, estando amparados em suas necessidades especiais.

Para pais e responsáveis por crianças e adolescentes com diabetes, recomendo a leitura dos seguintes materiais:

• Cartilha “Colega Diabético – Nossa turma dá uma aula de respeito”. Desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Diabetes, a cartilha pode ser distribuída nas escolas para que se compreendam os principais cuidados que o paciente com diabetes precisa tomar, e de que forma se podem ajudar colegas e alunos com a doença.

http://www.diabetesnasescolas.org.br/imagens/multimidia/folhetoSBD.pdf

• Edição n°5 da Revista BD Bom Dia. Publicação do Centro de Educação em Diabetes com número voltado especialmente para experiências no contexto da escola. Os textos trazem depoimentos interessantes de jovens, crianças, pais e profissionais.

http://www.bd.com/brasil/periodicos/bdbomdia/pdf/bd_set_09.pdf

Como parte do programa de intervenção psicoeducativo, recentemente iniciado no Centro de Diabetes Curitiba, estão previstas reuniões semanais abertas à comunidade, dentre as quais pretende-se abordar o tema do diabetes no contexto da escola. Fiquem atentos às novidades, informaremos datas e temas por meio dos canais de comunicação do CDC. Contamos com a colaboração dos interessados para que divulguem as atividades em suas escolas.

O serviço de psicologia do Centro de Diabetes Curitiba encontra-se a disposição para dúvidas, sugestões e esclarecimentos sobre este e outros temas relacionados à psicologia e educação em diabetes, pelo e-mail psicologia@centrodediabetescuritiba.com.br. Outros profissionais do Centro de Diabetes Curitiba também estão à disposição das escolas para o agendamento de reuniões de orientação sobre como atender alunos diabéticos.

Gostou? Compartilhe com seus amigos.