Vacina de DNA é testada contra Diabetes Tipo 1 com bons resultados.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda – em parceria com as Universidades de Washington e Stanford, nos Estados Unidos.

4 de novembro de 2013 | Autor: Centro de Diabetes Curitiba

 

O Diabetes Tipo 1 é uma doença autoimune, isto é, o sistema imunológico (de defesa) do paciente ataca as suas próprias células beta pancreáticas produtoras de insulina, destruindo-as. Assim, a insulina, que regula a quantidade de açúcar (glicose) no sangue, se torna insuficiente, os níveis de glicose aumentam e o paciente necessita repor insulina, aplicando-a diariamente.

Os mecanismos que desencadeiam esse ataque da defesa do corpo ao pâncreas – gerando o Diabetes Tipo 1 –, ainda não são completamente conhecidos e são objeto de inúmeras pesquisas no meio científico. O objetivo delas é tentar impedir o desenvolvimento dessa doença, modulando ou diminuindo o processo autoimune. Várias tentativas já foram feitas, mas os resultados não foram satisfatórios porque fragilizaram as defesas do indivíduo como um todo.

Um estudo realizado sobre esse assunto por pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda – em parceria com as Universidades de Washington e Stanford, nos Estados Unidos –, foi publicado no mês de junho de 2013 na revista científica Science Translational Medicine. Os estudiosos encontraram uma forma segura de impedir que o sistema imunológico de pacientes diabéticos tipo 1 atacasse as células produtoras de insulina no pâncreas, através de uma vacina de DNA. A vacina desenvolvida é feita a partir de um plasmídio de bactéria contendo um segmento de DNA da pró-insulina humana geneticamente modificado, com o objetivo de destruir somente as células do sistema imunológico que são prejudiciais ao pâncreas, deixando o restante do sistema de defesa preservado.

Foram avaliados 80 pacientes com idade maior que 18 anos, com Diabetes Tipo 1 com tempo médio de cinco anos de doença, que faziam tratamento com injeções de insulina. Durante 12 semanas, parte deles recebeu doses dessa vacina e outra parte recebeu placebo (substância sem efeito terapêutico), por via intramuscular, semanalmente. Num seguimento de até dois anos, o grupo que recebeu a vacina mostrou sinais de preservação das células beta pancreáticas produtoras de insulina e, ao mesmo tempo, apresentou redução do número de células do sistema imunológico responsáveis pelo ataque ao pâncreas nas pessoas com Diabetes Tipo 1. Não foram observados efeitos adversos importantes, mas, ao final do estudo, a dose de insulina aplicada aos pacientes permaneceu a mesma.

Por apresentar a segurança e a eficiência observadas, a utilização dessa vacina parece muito promissora, especialmente se testada em uma fase anterior ao desenvolvimento do Diabetes Tipo 1 ou em pacientes com altas chances de desenvolver a doença. Há ainda muito caminho a percorrer cientificamente para que esta opção de tratamento esteja disponível para uso, mas sem dúvida uma nova linha de pesquisa se abre a partir desse estudo.

Dra. Andressa Miguel Leitão, médica endocrinologista e diretora da Pesquisa Clínica do Centro de Diabetes Curitiba.

Gostou? Compartilhe com seus amigos.