Diabetes pede atenção redobrada com pernas e pés

Atendimento multidisciplinar com orientação e suporte clínico ajuda a evitar as complicações do diabetes nos membros inferiores.

22 de janeiro de 2014 | Autor: Centro de Diabetes de Curitiba

 

Formigamento, perda da sensibilidade, dor, sensação de queimação ou agulhadas, dormência e fraqueza nas pernas e/ou pés são os principais sintomas da neuropatia periférica, uma das complicações mais comuns nos pacientes com diagnóstico de diabetes. “Essa doença atinge de diversas formas os membros inferiores”, afirma Dr. Marcio Miyamotto, cirurgião vascular e endovascular.

Isso acontece porque o diabetes provoca lesão nos nervos das pernas, podendo levar à deformidade estrutural dos pés, o que altera a forma como o indivíduo caminha. “As consequências dessas deformações refletem-se no aparecimento de calosidades em locais de maior pressão e, em última instância, em feridas de difícil cicatrização. É aí que entram os especialistas”, explica Miyamotto.

Em Curitiba, existem serviços multidisciplinares especializados no cuidado e prevenção das complicações relacionadas ao diabetes. Um deles é o Centro de Diabetes Curitiba, que funciona no Hospital Nossa Senhora das Graças. “O local permite a integração entre os diversos profissionais envolvidos nesse grande desafio terapêutico, com o objetivo de preservar a saúde e a vida dos pacientes”, enfatiza o especialista.

Evitando infecções

Além da lesão nos nervos periféricos, o diabetes também pode provocar alterações circulatórias. Pessoas que sofrem com a doença há muitos anos tendem a ter a circulação das pernas mais precária, devido ao “entupimento” dos vasos que nutrem os tecidos dos membros inferiores. “Essa ‘falta de circulação’ pode levar, em fases iniciais, a dor ao caminhar, que pode evoluir para dor intensa, mesmo ao repouso”, acrescenta o médico.

Nas situações em que a falta de sangue nas extremidades é severa, pode ocorrer morte dos tecidos. Nesse estágio, o risco de amputação é consideravelmente alto. “Pacientes tabagistas, hipertensos e com níveis elevados de colesterol podem agravar ainda mais essa condição circulatória”, alerta Dr. Miyamotto.

A infecção é uma das principais causas de amputação relacionadas à neuropatia periférica. “Pessoas diabéticas apresentam uma resistência muito baixa às infecções. Problemas que seriam facilmente tratados em pacientes comuns representam um risco para a vida do diabético”, enfatiza o especialista.

O risco é ainda maior quando o paciente apresenta simultaneamente diabetes, falta de circulação e infecção. Nesses casos, uma abordagem multidisciplinar rápida e eficaz faz-se necessária para evitar a amputação, a complicação para outros membros, ou mesmo a morte por infecção generalizada. “Devem participar da equipe endocrinologista, cirurgião vascular, cirurgião ortopédico especializado em pés, infectologista e profissionais de enfermagem especializados em curativos de alta tecnologia”, esclarece Miyamotto.
Reportagem de Lúcia Costa, publicada na Revista Corpore, edição 34.
Fonte: Dr. Marcio Miyamotto, cirurgião cardiovascular e médico angiologista do Centro de Diabetes Curitiba.

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